Suzana Herculano-Houzel

#ítulo da imagem

Acabei de ouvir esta proposta de Melhor Resposta à pergunta do Gênio (faça um desejo, e não pode ser desejos infinitos): "Quero saber o futuro". Não tive de pensar duas vezes para protestar. Acho que isso seria a coisa mais DESANIMADORA POSSÍVEL. Não quero saber se os meus esforços para fazer isto ou aquilo não vão dar certo. Não quero saber quantas vezes vou ter de tentar algo e mesmo assim falhar. Não quero saber que doenças vou ter, nem quando os meus filhos vão morrer e como. É a esperança no melhor que nos mantém vivos e a dar o nosso melhor.

Aos meus protestos, o proponente respondeu: "não, não, refiro-me a conhecer o futuro, ou seja, a saber como se desenrolam as tuas ações para que possa escolher o que fazer!”. Mas isso me parece uma tentativa de enganar o gênio: uma reformulação mal disfarçada de "muito bem, não me dê "desejos", mas me dê os meios para fazer acontecer o que eu quero que aconteça". Isso é dar a alguém os meios para FAZER com que os seus desejos se tornem realidade, por isso... continua a conceder desejos ilimitados. Isso é contra as regras do Gênio. Não pode.

Além disso, volto ao problema de que se você CONHECE o futuro, isso significa que, por necessidade, NÃO PODE mudá-lo - ou não CONHECERIA o futuro, certo? Ou é pobre hoje e se vê rico no futuro quando ganha na lotaria, ou não faz sentido saber quais serão os números vencedores, não?

O que me faz pensar que os Gênios são a antítese do que o cérebro faz. Os gênios estalam os dedos e fazem as coisas acontecer; os cérebros imaginam um futuro, depois descobrem uma forma de trabalhar para o alcançar e sentem prazer em trabalhar para chegar lá. A diversão não está no objetivo, mas na viagem até lá. Os gênios tirariam toda a graça da vida.

É por isso que estou do lado da jovem do conto Outubro de Neil Gaiman, um dos meus contos preferidos de sempre, que, à pergunta do Génio, responde simplesmente: "Estou bem, obrigado".

Mais posts

en_USEnglish